Zás Trás: A História do Programa Infantil que Marcou Gerações na TV Paulista e Globo

Antes da era da internet e dos canais de streaming, as tardes da criançada brasileira eram preenchidas por programas que se tornaram verdadeiros marcos na memória afetiva de gerações. Um dos mais importantes e pioneiros foi, sem dúvida, o Zás Trás, uma atração que teve uma longa e fascinante jornada, evoluindo junto com a própria televisão no Brasil, desde a TV Paulista até sua consolidação na Rede Globo.

Este artigo mergulha na história do Zás Trás, relembrando seus apresentadores icônicos, as diferentes fases e os seriados inesquecíveis que apresentou ao público.


Ficha Técnica do Programa

  • Nomes do Programa: Zás Trás; Sessão Zás Trás
  • Emissoras: TV Paulista e Rede Globo
  • Período de Exibição: 1958 a 1965 (TV Paulista); 1965 a 1970 e 1972 (Rede Globo)
  • Formato de Cor: Preto e Branco (1958-1970); Cores (1972)
  • Companhias Produtoras: TV Paulista, Rede Globo
  • Apresentadores Notáveis: Márcia Cardeal (Tia Márcia), Ted Boy Marino, Guto

A Origem na TV Paulista: O Nascimento da “Tia Márcia”

A história do Zás Trás começa em 1958. Com texto de Renato Correia e Castro e direção de Renan Alves, o programa estreou na TV Paulista, uma emissora que era um dos pilares da televisão em São Paulo. À frente da atração estava uma figura que se tornaria sinônimo de carinho e diversão para as crianças da época: Márcia Cardeal, carinhosamente apelidada de Tia Márcia.

Nesta fase inicial, o programa era transmitido apenas para São Paulo e rapidamente se consolidou como um sucesso, misturando entretenimento, brincadeiras e a exibição de desenhos animados.

A Transição para a Rede Globo e a Fase Ted Boy Marino

Uma grande virada na história do programa (e da TV brasileira) aconteceu em 1965, quando a TV Paulista foi comprada pelo empresário Roberto Marinho, tornando-se um dos embriões da futura e poderosa Rede Globo.

Com a transferência do núcleo de produção para o Rio de Janeiro, o programa passou por uma reformulação. A partir de 7 de abril de 1969, a atração passou a se chamar Sessão Zás Trás e começou a ser exibida também para o Rio, de segunda a sexta, entre 11h30 e 12h30.

Nesta nova etapa, Márcia Cardeal deixou o comando. Para seu lugar, a Globo escalou um dos maiores ídolos da juventude da época: o lutador e ator Ted Boy Marino. Com seu carisma e popularidade, Ted Boy Marino deu um novo tom ao programa, que passou a focar na apresentação de filmes e desenhos animados, mantendo a audiência cativa.

O Breve Retorno em Cores e os Seriados Clássicos

Após um hiato de quase dois anos, o Zás Trás retornou à grade da Globo em julho de 1972 para sua fase final e, para muitos, a mais memorável. O programa voltou com fôlego renovado: com uma duração maior, de 1h15, sendo exibido das 16h às 18h15.

Essa fase marcou o retorno de Márcia Cardeal, agora acompanhada por um novo parceiro, Guto. A maior novidade, no entanto, foi tecnológica: acompanhando a modernização da TV brasileira, a nova fase do Zás Trás era totalmente em cores.

Foi neste período que o programa se imortalizou na memória de muitos por exibir alguns dos seriados estrangeiros de aventura e ficção científica mais amados da época. Entre as atrações estavam:

  • Terra de Gigantes
  • Túnel do Tempo
  • Tarzan
  • Bip Bip Show
  • A Família Dó-Ré-Mi

O Fim de Uma Era

Apesar do sucesso, a jornada do Zás Trás chegou ao fim de forma abrupta. Cerca de três meses após seu retorno triunfante, em outubro de 1972, o programa foi retirado do ar. Ele foi substituído pela sessão vespertina de outra produção infantil que se tornaria um marco global: Vila Sésamo. O Zás Trás encerrava assim sua longa e importante trajetória, deixando um legado de pioneirismo e nostalgia que perdura até hoje.

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